Destaques

Mostrando postagens com marcador Devil Of Words. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Devil Of Words. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Se nem o casamento é monogâmico, imagine o futebol


Tempos atrás eu vi uma postagem em um blog que falava sobre pessoas que torciam por um time no Brasil e outro no exterior. Tentei recuperar o link para compartilhar aqui, mas infelizmente não tive êxito. Lembro que o autor comparava as equipes nacionais com a sua esposa/namorada, e as agremiações gringas com a Angelina Jolie. Segundo o argumento do blogueiro, você poderia admirar a Angelina tal como admira o clube estrangeiro, mas amar de fato só o time brasileiro mesmo – na comparação feita, a sua esposa/namorada também. Ainda segundo o autor, a atratividade do futebol europeu, muito mais midiático e badalado, encheria seus olhos. Mas nada superaria o que você sente ao ir ao estádio, sentar na arquibancada e torcer de perto pelo time que acompanha desde pequeno. Ou ainda o fato de ver os jogadores próximos, de sentir a vibração do caldeirão e todas essas coisas legais que nós sabemos.

Minha intenção com esse post é desconstruir esse pensamento. Bom, vamos lá.

É muito comum ver esse tipo de conversa. Que quem torce para dois times, sejam eles do seu país ou não, é tido como ‘misto’ e acaba sendo desprestigiado por alguns. Acontece que o fato de torcer é um fato passional. Ou seja, não envolve razão, mas paixão. Ou ainda, amor. Esses sentimentos não se manifestam de uma única maneira. Você ama sua avó, sua mãe, seus irmãos, sua namorada, seu papagaio e sei lá mais quem. Todos esses sentimentos se manifestam de diferentes formas por seres diferentes, cada qual com suas particularidades. Não apenas pela Angelina Jolie. Aí está o primeiro equívoco do nosso amigo blogueiro: torcer é inerente ao sentimento de amar e, como tal, não pode ser monopolizado.

Pense. Você já nasce amando sua mãe, é instintivo. Muitas vezes isso acontece com o futebol. O meio em que estamos inseridos pode muito bem condicionar a nossa torcida futebolística. Mas, entretanto, porém e todavia, conforme o tempo passa nós vamos conhecendo o mundo e as pessoas. Aí você conhece e se apaixona por aquela garota – ou garoto, ou transex, ou ET de Varginha, seja lá qual for a sua opção. Quando o relacionamento se concretiza, você sabe que gosta daquela pessoa, você descobriu a história daquela pessoa, se encantou com suas falhas e qualidades e aprendeu a amar. Que lindo, dá um ótimo roteiro para a próxima temporada de Malhação

É exatamente o que acontece quando você descobre outro time de futebol.

No caso do Manchester, você lê e vê registros sobre Busby e seus babes, o que ocorreu em Munique, Sir Alex, as viradas épicas, os fracassos, as glórias, a torcida, as vidas envolvidas com aquilo. E você se apaixona. Compra aquele pacote esportivo da TV por assinatura, acompanha os jogos, xinga, se diverte. E grita gol. Já reparou no grito de gol? No jogo importante principalmente, aquele decisivo, de matar ou morrer. Na hora você não pensa na Angelina Jolie, na sua namorada, na sua mãe, no seu time brasileiro ou no raio que o parta. Você apenas grita, pula e comemora. Já está no seu sangue, você se apaixonou, tarde demais pra voltar atrás. É passional.

Bem como você ama várias pessoas, pode torcer por várias equipes também. É proibido? Quem tenta racionalizar o irracionalizável acaba cometendo o erro do nosso colega: acha que o futebol segue regras. Na boa, nem o juiz segue as regras, quanto mais a gente.

Contudo, eu entendo a crítica do nosso camaradinha.

A minha defesa até aqui foi para quem torce, não para quem ignora completamente a derrota, não sente nada e vai torcer pelo ‘time verdadeiro’ que vai jogar às 18h no Brasileirão. É verdade que existem os famigerados ‘modinhas’ que acompanham os jogos e se acham torcedores? É. É verdade que a mídia e o futebol vistoso influenciam eles a ‘torcer’ por essas equipes, em detrimento muitas vezes dos clubes brasileiros que jogam um futebol sofrível em diversas ocasiões? É. É verdade que existem pessoas que nascem torcendo por um só clube e continuarão assim? É claro que é!

A torcida/amor se revela de muitas formas e centrar esse sentimento em uma só instituição é plenamente concebível. O que não pode ser tido como certo é o fato de que só essa possibilidade seja aceitável. Os questionamentos feitos pelo cara, contudo, são completamente consideráveis. Mas não se deve generalizar. Quem escanteia seu ‘primeiro time’ e vai acompanhar apenas atrás de um desafogo esportivo não merece ser chamado de torcedor. Não é de admirar que depois que a má fase chegar, procure outro time do coração por uma temporada. Esses são os tão falados modinhas. Ser modinha é isso aí: ser absolutamente superficial.

Mas quem torce é diferente. Mesmo depois daquela jirombada no clássico, onde você jura que não vai mais acompanhar aquela droga de temporada, permanece firme e forte no jogo seguinte. É a mesma sensação que se tem ao levar aquela bronca da mamãe, ficar um tempo sem falar uma palavra com ela em represália, cogitar mil e um xingamentos mentais para a coitada, e depois se render ao bom e velho ‘Mãe, o almoço ta pronto?’. Ou ainda, depois daquela briga mortal com a namorada, onde você esbraveja, se pergunta porque não arranjou outra ainda, lista todos os motivos pelo qual ela nunca mais achará outro cara tão bom quanto você e tudo o mais. Aí quando os dois sentam e se resolvem, voltam às declarações. Claro que eu não ia aguentar ficar mais tempo sem falar com você, meu amor.

Para fechar, é bom que fique claro que toda forma de torcer deve ser respeitada. Qualquer um tem a liberdade para torcer da forma que achar mais conveniente e não pode ser julgado por isso. Entretanto, existem realmente aqueles que apenas se deixam levar pelo prazer praticado pelo futebol de uma equipe em grande fase, como os alvos da postagem do rapaz que mencionei anteriormente. Isso é um crime? Não. Mas eles não podem ser chamados de torcedores agindo assim. Torcer, repetindo novamente, remete ao amor. E o que os famigerados modinhas praticam é o completo oposto disso.



Ah, é verdade. Faltou aparar uma aresta. O que fazer quando surge a maligna pergunta: ‘E quando os dois times se enfrentam, por quem você torce?’.

Vamos lá.

Imagine a seguinte situação. Você teve uma recaída com a sua ex. Neste momento, a sua atual namorada acaba de pegar os dois no maior flagra. Enquanto fica estático, as duas estão lá brigando. Se estatelando. Puxando os cabelos. Profanando os mais ásperos xingamentos. Realizando golpes ninjas que nem Bruce Lee no auge da carreira poderia executar. O confronto épico de duas pessoas que você ama e quer tudo de bom sempre. Exatamente nesse momento, em algum lugar de sua mente, passa aquele estalo com a vontade quase insuportável de dizer Calma meninas, não precisam brigar. Tem pra todo mundo. Felizmente, seu instinto de autopreservação biológica fala mais alto calando sua boca e evitando um óbito prematuro por assassinato duplamente qualificado. Voltando a si, inúmeros devaneios depois, percebe que elas ainda estão lá, no chão agora, levando o embate sangrento até as últimas conseqüências.

Então, sejamos francos. Nessas condições, você teria a coragem de dizer por quem torcer?


Por Eduardo Silva

*Texto originalmente publicado no Falando de Premier League, quando eu era colunista de lá. Compartilho aqui pois vejo como um texto que muitos precisem ler, sobretudo pelo que vejo diariamente no Twitter e Facebook.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

De Gea é apenas a ponta do iceberg


Os trabalhos para a temporada 15/16 começaram com a negociação de Van Persie e Nani para o Fenerbahce, o que, na prática, nos fazia um bem danado por conseguir negociar o português que não rendia a um bom tempo. Já o antigo camisa 20 era um incógnita. Uns acreditavam que poderia jogar mais uma temporada e outros não. Eu sou um dos que achava que ele ainda rendia mais uma season.

Só que ele foi embora. Ótimo, agora vamos repor essa lacuna com um novo atacante, certo? É, mais ou menos. O substituto não foi Chicharito – e nem deveria ser – mas sim o jovem Martial, vindo do Monaco por um valor que, especula-se, gire em torno de incríveis 49 milhões de euros, que podem chegar a 80 conforme as bonificações no contrato. Isso faz do nosso garoto francês o atleta sub-20 mais caro da história. Tudo isso por um jovem que dificilmente desbancará Rooney e seu péssimo início como centroavante na temporada.

E caso um se machuque e o outro esteja suspenso?

Bingo! Com tão poucas opções esse é um risco extremamente palpável ao longo dos próximos meses, já que Wilson foi relegado ao limbo. E mesmo que ambos estejam disponíveis, receio muito que façam o volume de gols esperado para uma equipe do nosso porte. O jovem Martial poderia ser um bom investimento para evoluir e crescer com o time, não para chegar já sendo segunda opção direta para o ataque e tendo custado uma fortuna. Mas fiquemos calmos, se tudo mais der errado, coloca Fellaini lá na frente e seja o que Deus quiser. Afinal, não é isso o que já vínhamos fazendo?

O fato é que estamos passando por uma reformulação gigantesca no plantel. Nunca antes na história recente do clube se movimentou tanto o mercado com contratações e dispensas. Isso, caro amigo leitor, é necessário. Sim, não dava pra mudar de patamar com Fletcher, Anderson, Cleverley, Buttner e afins. O problema tem sido justamente o desequilíbrio na reposição dessas peças.

Nosso grande calcanhar de Aquiles, vulgo meio campo, ganhou excelentes reforços ultimamente: Herrera, Schweinsteiger, Schneiderlin e etc. A saída de bola, proteção a defesa e controle da posse de bola (não do jogo) tem melhorado bastante e podemos ver isso nesse início de temporada. Idem para as laterais, onde Darmian e Shaw estão muito bem. O problema começa em outros setores.

Não é apenas nosso centro avante que causa dúvidas. Aliás, falar disso é no mínimo irônico, já que nosso ataque que tinha Van Persie e Falcao rendeu uma baita flopada e hoje vira um problema. O sucessor de Di Maria, Memphis Depay, ainda não desenvolveu um futebol suficiente para dar mais volume de jogo ao ataque. Obviamente ele tem talento e tudo para despontar como um grande jogador, mas há tempo até ele se adaptar ao ritmo de Premier League. Não se iludam com as partidas da Pré-Champions por que o nível é bem diferente. Contra o Swansea, começou o jogo voando, e depois caiu. E isso é apenas um dos exemplos. Enquanto ele vai pegando o jeito, temos Valencia e Young para as reservas imediatas dele e de Mata, que tem jogado mais aberto. Será o suficiente?

Por outro lado, uma grata surpresa nesses primeiros jogos foi ver Januzaj com um futebol mais desenvolvido e sendo escalado no time titular várias vezes. Por isso foi super normal vê-lo ser emprestado ao Borussia Dortumund com opção de compra, segundo algumas das especulações. Com certeza faz todo o sentido você ser titular num dia e emprestado no outro. Coisas do nosso amigo Van Gaal, é claro.

A defesa, alvo de tantas críticas, tem Smalling, Mcnair, Jones e Blind improvisado como opções. Ainda há Rojo que pode desempenhar a função. A performance inicial tem sido muito boa - graças à boa proteção dos volantes, há que se ressaltar. Paralelamente negociamos Evans – glórias a Deus – e emprestamos Blackett. Mas ficamos no chove-não-molha com Otamendi, que acabou no City, e sequer fomos especulados com interesse em Stones, por exemplo. Contudo, a organização tem sido vital para a melhora no setor e não há motivos para desespero, vale lembrar que o City já venceu uma Premier League com Demichelis na zaga. Mesmo assim, mais uma peça para o setor cairia bem para dar mais opções e segurança.

Por último, mas não menos importante, a novela De Gea. A ponta do iceberg que faz a maioria das pessoas esquecer o resto dos problemas do nosso atual plantel. A história é simples: o cara queria sair, o Real queria comprar, só restava mais um ano de contrato e para não sair de graça ano que vem, só nos restava vender. Na negociação, eles incluiriam Navas mais uma grana, que diziam ser de 30 milhões de euros. Aqui vai o que aconteceu: Madrid e United proporcionaram uma das maiores trapalhadas da história das negociações do futebol e não fecharam a negociação por causa de falhas na documentação, que acabaram por estourar o prazo limite. Com isso, vamos ficar com um goleiro que já estava afastado e que poderá sair de graça. 
Dessa forma, provavelmente ficaremos sem Navas, sem o dinheiro e tendo que aturar Romero no gol.

Não obstante, é inexistente a figura de terceiro goleiro no nosso plantel. Agora que Valdés também descansa no obscuro mar do limbo, restam apenas Romero e o jovem Johnstone.  De Gea? Não sei ao certo se jogará, visto que a novela ainda está rendendo e nunca se sabe se conseguirão uma brecha para que o acordo seja fechado – o que seria melhor pra todo mundo. Caso fique, não dá pra ter certeza se jogará. E se jogar, não dá pra ter certeza que estará 100% focado. Situação extremamente complicada.

Mesmo assim, não é o fim do mundo. Nossa equipe é boa, mas as incríveis falhas na montagem do elenco o desequilibram e nos custa a disputa pelo título. Enquanto isso o nosso rival local tem um plantel organizado, coeso e dispara na liderança logo no começo do campeonato. Na situação atual, tantos erros podem sair bem caro no futuro e render a terceira temporada seguida sem títulos, vendo os rivais vencendo e ganhando o irritante modismo de inúmeros brasileiros, que interfere diretamente no seu saco sendo cheio diariamente - virtual e presencialmente. Já nós, continuamos tropeçando nas próprias pernas.

Parabéns aos envolvidos.


Por Eduardo Silva

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os ídolos são atraídos pelo verdadeiro gigante

O que faz um time ser grande? Muitos diriam que títulos, outros falam de história. Ambos os aspectos são bem verdadeiros, mas você concorda comigo que um clube também se faz com grandes jogadores, certo? Grandes jogadores desfilam classe, bom futebol e encantam os torcedores. Porém, como todos sabem, a carreira no mundo futebolístico é curta. Chegando na casa dos trinta não são raras as situações em que as equipes sugerem cada vez mais uma transferência. O problema não está nesse fato em si, mas em como o processo se desenrola.

Muito falada na mídia nos últimos dias, a transferência de Iker Casillas para o Porto ainda dá o que falar. Notoriamente desgastado, os bastidores deviam ser terríveis para o lendário goleiro espanhol. Sofria desgaste até mesmo por parte da torcida e nem o título europeu na temporada retrasada diminuiu isso. Acabou tendo a saída forçada para o clube português. Esse é apenas um exemplo, mas mostra como alguns ídolos são tratados em seus times mundo afora. E esse é o diferencial do Manchester United. Aqui, quem se torna ídolo, se torna imortal. Tem seu respeito e nome guardados na memória. E é isso que faz a verdadeira diferença.

Beckham volta ao Old Trafford em 2010: o respeito nunca morre.
Por que Beckham, Ronaldo e outros são aplaudidos quando voltam?

Por que Schweinsteiger saiu do Bayern justamente para cá? Por que Van Persie trocou o Arsenal por nós? Acaso? Dinheiro? Não. A resposta para essas perguntas é também a resposta para o questionamento que fiz no começo do texto.

O que faz um time ser grande?

Honra.

Por que abstendo todo o dinheiro, as oscilações e principalmente o tempo, apenas a história e a honra ficam. Um homem sem honra não é nada e o mesmo vale para um clube de futebol.

É isso que nos faz ser um verdadeiro gigante.


Por Eduardo Silva

quinta-feira, 11 de junho de 2015

No fim do dia, continuamos com apenas três Champions



Uma das maiores contradições do futebol mundial é o Manchester United ter apenas três taças de Champions League na sua sala de troféus. Sei que isso muito se deve ao fato de, em duas finais, termos batido de frente com versões da geração mais vitoriosa do Barcelona e ter enfrentado um gênio chamado Lionel Messi.

Mas isso não serve como desculpa.

Não serve por que não tinha Messi em campo quando Rafael foi expulso nas quartas de 2009/2010 e deu a sobrevida que o Bayern queria para avançar. Naquela edição já tínhamos enfiado 4 no Milan em casa, após vitória em Milão. Após 2-1 para os bávaros na ida chegamos a abrir 3-0 em Old Trafford, num jogo que terminou 3-2 para nós, o que não foi suficiente. Poderíamos ter ido fazer as semis com o Lyon, e posteriormente disputar na final o caneco com a Inter. Time para bater de frente nós tínhamos, naquela que foi uma temporada matadora de Wayne Rooney.

Rooney toca na saída de Abbiati: 4-0 no Milan em casa, na volta de Beckham.

Também não havia esquadrão mágico do Barcelona em 2012/2013, quando Nani poderia chegar de mil e uma formas na disputa da bola com Arbeloa, mas errou o tempo da bola, não observou que o jogador merengue estava perto do lance, meteu o pezão nas costelas do espanhol e o juizão que já não gosta de beneficiar espanhóis foi lá e o expulsou. Depois disso o Real, que não estava melhor na partida, ganhou fôlego e virou o jogo. Essa temporada foi mais recente e não tem como esquecer que o time estava compacto, competitivo e, sobretudo, decisivo. Poderíamos ter ido muito longe. Menção honrosa para Ferguson que deixou Rooney no banco na maior parte do jogo de volta, segundo ele, para aumentar o poder de marcação da equipe.



Esses são apenas exemplos para ilustrar o que poderia ter dado certo, mas nos custou a eliminação por termos tropeçado nas próprias pernas.

Isso sem falar, é claro, na campanha desgraçada de 2011/2012 quando ficamos na primeira fase caindo para o grupo mais difícil da história da competição com Benfica, Basel e Otelul Galati, ou quando quase fomos eliminados pelo Olympiakos com o Moyes no comando e todo mundo achou que fomos até longe demais naquela temporada tosca. Inaceitável.

Eu sei que agora se fala em construção de elenco e importância de voltar à competição, da importância de se ter a receita proveniente de tudo que envolve a Champions League e essas coisas. Mas me aborrece demais o fato de se falar no torneio sem ver o incômodo de muitos com a situação. Muito tem se falado ultimamente da volta ao torneio, mas ninguém abordou o tema. É bem difícil conquistar a competição logo após voltar a disputá-la assim, eu sei, mas ninguém apostava em alguns times que recentemente tem chegado na final. Podemos chegar nem que seja na base do peso da camisa. Por que precisamos nos colocar num patamar continental condizente com a nossa grandeza. Urgentemente. Precisamos parar de ver os grandes nomes  da Premier League impulsionarem os gigantes espanhóis para suas conquistas e voltar a montar um elenco forte a nível europeu. Enquanto estivermos nos reconstruindo isso dificilmente irá acontecer. Mas, sobretudo, enquanto continuarmos tropeçando nas nossas próprias pernas, o tempo continuará a passar e nada vai ser alterado.

E fanatismos à parte, no fim do dia, continuamos com apenas três Champions.

Por Eduardo Silva

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

E se o Manchester City fosse a sua esposa?



Oi, meu nome é Manchester United. Sou um pomposo senhor de cento e trinta e sete anos. Muito bem vividos, diga-se. Minha esposa se chama Manchester City e tem esbeltos cento e trinta e quatro anos. Nós nos vimos pela primeira vez em meados de 1891, por isso temos muita história pra contar. Muita mesmo

Nosso relacionamento é muito lindo, apesar das crises que todo casal passa. Afinal, como você bem sabe, até a dupla perfeita da Lagoa Azul passou por dificuldades. Imagine um mero casal centenário. Se nesse momento algum homem está lendo isso e se perguntando como eu consegui superar mais de cem anos de TPM’s, de discussões de relação nas horas mais impróprias e como me mantive fiel por tanto tempo eu digo que foi fácil, pois o amor verdadeiro tudo supera.

Bom, na verdade, se manter fiel foi um problema. Mas chegaremos nessa parte mais na frente.

Muito antes de tratar de problemas como estes, é preciso falar com a família. Nenhum namoro começa sem o consentimento do pai, da mãe e por aí vai. E é com propriedade que digo que meus sogros são dois desgraçados de primeira linha. Noel e Liamnara são músicos respeitados na cidade, criam músicas de sucesso e muita gente os adora. Como me odeiam do fundo do coração, é fácil entender suas atitudes. Certa vez durante o namoro demos glórias a todos os deuses olimpianos, santos cristãos, pagãos e até extraterrestres O motivo? Finalmente iríamos ficar a sós em casa depois de quase quatro anos de namoro! Quando eu já exalava testosterona por todos os poros do corpo e estava pronto para fazer coisas que iriam botar o protagonista de 50 Tons de Cinza no bolso, eis que um riff estrondoso de guitarra se fez ouvir. Era tão potente que parecia vir de dentro do quarto. Após entrar para o Guinness como O casal que se vestiu mais rápido depois de uma tentativa frustrada de sexo em todo o mundo, fomos ver do que se tratava e era uma bobagem: apenas meus queridos sogros fazendo um show surpresa no terraço da casa para cerca de duas malditas pessoas que não tem compaixão pela seca carnal alheia.

Isso sem falar no dia do casamento quando o Noel vinha dirigindo meu carro e acidentalmente se perdeu no caminho que já fez mais vezes do que a Terra percorreu na sua órbita ao redor do Sol. Ou quando, apenas no dia seguinte ao casamento, Liam telefonava às 23:47 querendo de mim conselhos de como lidar com a vida. Agora, por todos os diabos, me responda que tipo de genro interrompe a transa para bancar o livro de auto-ajuda para a sogra de meia idade em plena lua de mel. Sim, eu mesmo!

Certo, tenha calma. Nem tudo é assim. As coisas são fáceis de superar quando você tem uma mulher prestativa ao seu lado. Muitos anos atrás eu tive sérias complicações financeiras, mas Manchester City segurou a barra e levantou fundos para me ajudar. Sem essa ajuda talvez eu não conseguisse me reestruturar e conseguir alavancar minha vida. Mulher boa é aquela que te faz crescer, que te apóia e está presente mesmo nos piores momentos da sua existência. Se você possui uma garota assim, valorize.

Ou não. Faça como eu.

Depois de melhor estabelecido comecei a freqüentar novos círculos sociais. Um deles mudou para sempre a minha vida. Foi quando entrei para uma comunidade de pessoas bem sucedidas conhecida pelo acrônimo U.C.L. – Union of Calamities and Ladies. Sabe como é, com o tempo o relacionamento vai esfriando, você já não encontra a mesma felicidade em determinadas situações, vai ficando tudo no modo automático e etc. Daí você precisa encontrar formas alternativas de diversão. Aliado a isso, festas de gala, companhias grandiosas aqui e acolá fizeram a relação esfriar um pouco e nos distanciamos cada vez mais. Principalmente depois de algumas noitadas: 1968 lá em Londres, 1999 em Barcelona e 2008, em Moscou. 

Mas a vida dá voltas, meus amigos. Todos nós sabemos disso. Durante muito tempo as mulheres foram sobrepujadas, ficaram sob a sombra dos homens. Ao menos no que diz respeito ao quesito dinheiro no bolso. Com a independência financeira delas veio também no pacote um upgrade em autoconfiança, liberdade e motivos para se vingar de maridos que viviam farreando pela Europa. Esse último é meu caso. Lá pelos meados de 2008, Manchester City descobre que tem um tio podre de rico e que no seu testamento deixou tudo para ela. O cara era lá dos Emirados Árabes e tinha um nome mais estranho do que remédio para diarréia, era um tal de Mansour bin Zayed Al Nahyan. Tente falar isso em voz alta se você for capaz.

Acontece que depois disso nossa vida nunca mais foi a mesma. Ela queria de todas as formas ingressar na U.C.L. Maldita hora em que eu a levei comigo em 1968. Eu disse que aquilo não era lugar para ela, que não daria certo, que seria uma decepção e tudo o mais. Ela achou que eu estava fazendo aquilo para afastá-la das coisas que eu desfrutei anteriormente – e era por isso mesmo, hehe. Revoltada, começou a comprar um monte de artigos de luxo para mostrar seu novo poder aquisitivo. Constantemente ela me acusava de pular a cerca nas minhas viagens européias e tudo o mais. Eu nunca soube como ela descobriu, minha teoria é que ela tinha uns vinte sentidos extras, um pra cada mulher que peguei nesse meio tempo. Com certeza aquela brisa ameaçadora soprando na minha nuca quando eu estava no bem bom era na verdade ela escondida nas sombras me observando e planejando uma vingança lenta e dolorosa.

Chegou um ponto em que a situação ficou insustentável. Numa briga muito, muito feia, ela tacou um monte de coisas em mim. Ficou extremamente agressiva e não sossegava um minuto. Era horrível, parecia um rolo compressor. Algumas manchas roxas e arranhões depois ela me perguntou quantas traições eu tinha contra ela. Sinceramente, respondi apenas uma. Era a única que eu me lembrava no momento. Então, com o peito estufado, ela bradou para todo o bairro ouvir que tinha tido o prazer de ter metido seis chifres em mim. Olha só que baixaria. O placar já estava 6x1 para ela.

E acredite: ficou pior.                                    

Sou desses que acredita que quando você está ferrado à beira de um abismo sempre vem um infeliz para meter o pé nas suas costas e completar o serviço. Quando se trata de mulher, fatalmente o cretino vai ser seu ‘melhor’ amigo. É. Aquele mesmo. Aqueeeeele. Aquele que dá conselhos, oferece o ombro pra você chorar as mágoas e fala para esquecer a garota por que no fundo, no fundo, não era pra dar certo. Tudo mentira por que na verdade ele quer fazer da sua cabeça um busto de veado silvestre e lustrar os seus chifres nas horas vagas.

No meu caso o desgraçado se chamava Denis Law.

Desde essa derrota vergonhosa, fiquei inquieto pensando num modo de devolver na mesma moeda. Jamais poderia permitir ficar por baixo depois de tal ultrajante derrota. E este dia não demorou a chegar. Obviamente, depois que você trai e é descoberto, precisa mudar seu comportamento. Ser mais passivo, deixar que ela fale mais alto às vezes para evitar a maldita frase ‘Se fosse para a outra você faria, desgraçado!’ e por aí vai. Depois de anos tratando a minha esposa a pão de ló esperando ansiosamente o momento da vingança, aconteceu a oportunidade perfeita.

Finalmente o demorado perdão veio. E com um lapso afetivo que lembrava nossos mais puros momentos de começo de namoro, ela veio me pedir um filho. Mas, obviamente, sabia que isto era impossível já que ela era estéril.

Sem problemas.

Lembrei na mesma hora do tradicional orfanato dirigido pela família dela. Fomos lá na semana seguinte e minha graciosa parceira se encantou com um garoto que, curiosamente, parecia muito comigo. No meio da confusão de pivetes brincando e fazendo a maior bagunça o garoto parecia ser o mais calmo e educado entre todos ali. Então, ela passou a mão em seus cabelos e perguntou:

- Como é seu nome, meu querido?
- Ryan Joseph Giggs, senhora.

Meu pequeno e amado Giggs. Fruto de uma pulada de cerca anos atrás numa das minhas idas a Cardiff. O único que sabia dessa história era o meu camarada e porteiro do orfanato: Alex. Ele que mexeu os pauzinhos para que o garoto fosse para lá quando a mãe desistiu de criá-lo. Então, fez todo o possível para que ele ficasse comigo. No final das contas, a vitória era minha! Silenciosa, fria e extremamente saborosa.

Mas tudo isso passou.

Hoje vivemos numa diplomacia agradável e com Giggs sendo figura constante nos bancos de reserva. Digo, bancos de sofá. A vida ficou mais equilibrada e eu tive que aceitar que ela também fazia parte da U.C.L. Apesar de que o pessoal lá não a trata muito bem, talvez por recomendação minha. A gente ainda briga de vez em quando, sabe. Mas isso é normal. Após tantas idas e vindas o importante é viver bem e juntos. O resto você vai construindo com o passar das primaveras.

Afinal de contas, o que seria de um homem sem a sua esposa não é mesmo?

Por Eduardo Silva

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O pior tipo de cego é aquele que não quer ver



Dizer que o Manchester United arranca resultados positivos com um futebol pobre é chover no molhado.

Todo mundo sabe que o trabalho de Louis Van Gaal pode e deve ser questionado, principalmente pela sua grande teimosa. Insistiu durante muito tempo num esquema que fazia o time não render tudo que podia e, ainda, perder o controle do meio campo. Obviamente, algumas improvisações precisaram acontecer graças ao elevado número de lesões. Agora a teimosia reina em deixar o talentoso Ander Herrera no banco, quando muitas vezes Blind fica sobrecarregado no meio campo, principalmente pela recomposição lenta da equipe. A questão é: se o holandês abdicar de suas controversas decisões para a montagem tática, sobretudo no que diz respeito ao posicionamento dos jogadores, teremos finalmente um padrão de jogo? 

O objetivo deste texto é atingir as pessoas que acham que o trabalho, apesar de tudo, está bom. Considere e reflita, caro leitor, que as estatísticas enganam. No momento temos uma defesa menos vazada do que o City, segundo colocado. Isso se deve ao bom trabalho de coordenação defensiva? Definitivamente não, mas sim à excelente fase de De Gea. No momento somos o terceiro colocado do campeonato, mas apenas a um ponto do quarto, Southampton e a dois do Arsenal, graças a tropeços contra Leicester, Aston Villa, Southampton e etc. Force pela memória a quantidade de jogos que tivemos tranquilidade na construção de placar e o jogo fluiu solto. É difícil. A posição na tabela engana muita gente. Imagine se Liverpool e Everton estivessem na mesma fase da temporada passada. Certamente a coisa estaria bem mais complicada. Por isso não se contente com o enganoso terceiro lugar ou ainda classifique o trabalho do treinador como bom por esses motivos. Lembre-se: você torce para o Maior da Inglaterra e, mesmo numa temporada de renovação como esta, o Manchester United pode mais do que o pobre futebol apresentado em muitas – muitas mesmo – partidas. Não se contente com pouco. 

Mesmo com lesões e a má fase esperava-se de Van Gaal, por tudo que já construiu no futebol, um padrão de jogo. Mas qual é o nosso time? Aquele do 4-3-1-2? Ou o do famigerado 3-5-2? Como chegamos ao ataque? Com troca de passes e triangulações? 

Não. 

Tocamos de lado, para trás, lançamos para frente e torcemos para dar algum resultado. Quando não dá certo, que a habilidade individual resolva e camufle a péssima desenvoltura em campo. Com todos a disposição ou não, o cenário é o mesmo. As lesões só agravam e expõem ainda mais isso. 

‘Ah, mas a Premier League é uma das ligas mais difíceis do mundo. Não dá pra jogar bem sempre, os times são bons, não é como a La Liga.’ 

Não seja cego. Não se engane. Tente usar esse argumento para Yeovils e Cambridge Uniteds da vida. Sim, por que você não acha mesmo que a nossa única chance de título na temporada está assegurada com esse futebolzinho, acha? Lembrando que um dos grandes times remanescentes, o Arsenal, está numa crescente já faz algumas semanas, apesar de ser freguês. O mais assustador é parar para refletir. Saia do senso comum um pouco, vamos lá. Suponha que o nosso treinador encaixe os jogadores no que seriam, teoricamente, as melhores posições para eles, que abdique de vez de jogar com três zagueiros, que tire Herrera do banco e por aí vai. Suponha que, teoricamente, ele faça tudo certo e pare de insistir nos erros que já cometeu. Em outras palavras, que ele deixe de ser o pior tipo de cego que existe: o que não quer ver. 

Se isso acontecer, você acha que o jogo finalmente fluirá bem? 

Tomara que a resposta seja positiva, pois, se mesmo assim o time continuar a jogar mal só há uma conclusão a se chegar: Van Gaal é inapto para o cargo. Repare que as lesões, as escalações controversas e tudo o mais podem ser usadas como argumento, mas se todas essas arestas forem aparadas e o time continuar mal significa que falta dinâmica de jogo, que se adquire com estratégia, treino, jogo e dedo do técnico. 

Independentemente do que acontecer com o holandês daqui pra frente, deixo um conselho para você que está lendo isso. Como amigo, como torcedor Red Devil. Por mais que aquele atacante tenha nome, se não jogar bem não adianta. Por mais que um treinador seja respeitado, se não formar uma equipe competitiva, de nada serve. O Manchester United é gigante e não se pode dar ao luxo de ter tantas oscilações. Não fique achando que as coisas estão boas por que no momento estamos no G4. Do jeito que a coisa anda isso pode mudar de uma hora pra outra. 

Não seja cego. 

Por Eduardo Silva

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Eu tenho vinte títulos e nenhum amigo



Certa vez ouvi uma fábula sobre um cão e um gato perdidos que precisavam cooperar para conseguir chegar até a casa onde moravam, que ficava no final de um denso bosque. Acontece que os dois não paravam de brigar e nunca chegavam ao objetivo por mais que os anos se passassem. Essa história lembra a nossa torcida. Não falo de toda ela, a nível global. Mas sim do que vejo na torcida brasileira do Manchester United. É incrível ver brigas constantes nos grupos pelas redes sociais afora. Não obstante, a relação entre os grandes portais do clube no Brasil não é exatamente das mais amistosas. Isso é um problema muito, muito sério.

Um post muito interessante do blog Olhar Crônico Esportivo, do Emerson Gonçalves, fala sobre os clubes estrangeiros que tem a preferência dos brasileiros. O texto se baseia numa pesquisa que mostra o resultado da quantidade de simpatizantes/torcedores dos clubes mais populares, bem como os índices de crescimento de popularidade, não só das equipes mas também das ligas. Repare na imagem abaixo que, aquela altura, nós éramos o quinto mais querido estrangeiro no Brasil, com quase três milhões de torcedores.


Sabe o que isso quer dizer na prática? Absolutamente nada. Nada além de um amontoado de gente que simplesmente curte ou acompanha pra valer o United. Mas dentre os verdadeiros Red Devils nesse grupo não há um clima de união consensual para chegar a um objetivo comum. Por que não se organizarem para uma excursão até Manchester e assistirem um jogo em Old Trafford? Definitivamente não é algo impossível, apesar de não ser fácil. Agora, faça a gentileza de observar novamente a imagem acima. Você não vê o Arsenal nela. O que isso tem a ver?

Confira este link.

Longe de querer dizer aqui que o Arsenal é maior ou melhor que o United. Mas repare como a atitude da torcida deles aqui no Brasil fez a diferença. A matéria conta a ida ao Emirates para o primeiro jogo de 2014, apenas poucos meses depois da divulgação da pesquisa mostrada anteriormente. Vale ressaltar que não foi a primeira vez que aconteceu tal coisa. Ok, é fato que o nosso clube não ajuda quem mora muito longe da Inglaterra e a ida a Old Trafford requer força de vontade e, sobretudo, uma baita economia no orçamento. Mesmo assim, quem garante que uma grande quantidade de pessoas unidas e bem representada entrando em contato com o United não causaria uma mudança de postura no clube?

A verdade é que nossa torcida aqui no Brasil é extremamente desunida e isso atrapalha não só o bom convívio, mas também a possibilidade de almejar conquistas maiores como torcida propriamente dita. Enquanto outros se mobilizam e cruzam um oceano para realizar o sonho de ver o time jogar de perto, nós desperdiçamos nosso tempo brigando no Facebook para atestar quem tem a opinião mais coesa, quem tem o melhor site, quem escreve a melhor coluna, ou quem é mais torcedor do que o outro.

Ah, lembra-se da fábula no começo do texto? O cão e o gato continuaram brigando por um longo período de tempo e nunca conseguiram alcançar o caminho de volta para casa.

Morreram abraçados.

Por Eduardo Silva.

Nota: Talvez você ainda não tenha percebido, mas as colunas do site possuem um nome e a minha se chama Devil Of Words. Se prestar atenção vai conseguir encontrar essas palavras no emaranhado de letrinhas que está presente na capa acima do texto. É quase uma mensagem subliminar, haha. O nome parece um pouco prepotente, eu sei, mas não é assim que as palavras são? Mágicas e doces mas também com a capacidade de se tornarem duras e críticas. E, verdade seja dita, em algumas situações elas bem que podem ser meramente diabólicas.
« Página Anterior Página inicial