Uma das maiores contradições do
futebol mundial é o Manchester United ter apenas três taças de Champions League
na sua sala de troféus. Sei que isso muito se deve ao fato de, em duas finais,
termos batido de frente com versões da geração mais vitoriosa do Barcelona e
ter enfrentado um gênio chamado Lionel Messi.
Mas isso não serve como desculpa.
Não serve por que não tinha Messi
em campo quando Rafael foi expulso nas quartas de 2009/2010 e deu a sobrevida
que o Bayern queria para avançar. Naquela edição já tínhamos enfiado 4 no Milan
em casa, após vitória em Milão. Após 2-1 para os bávaros na ida chegamos a
abrir 3-0 em Old Trafford, num jogo que terminou 3-2 para nós, o que não foi
suficiente. Poderíamos ter ido fazer as semis com o Lyon, e posteriormente
disputar na final o caneco com a Inter. Time para bater de frente nós tínhamos,
naquela que foi uma temporada matadora de Wayne Rooney.
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| Rooney toca na saída de Abbiati: 4-0 no Milan em casa, na volta de Beckham. |
Também não havia esquadrão mágico
do Barcelona em 2012/2013, quando Nani poderia chegar de mil e uma formas na
disputa da bola com Arbeloa, mas errou o tempo da bola, não observou que o
jogador merengue estava perto do lance, meteu o pezão nas costelas do espanhol
e o juizão que já não gosta de beneficiar espanhóis foi lá e o expulsou. Depois
disso o Real, que não estava melhor na partida, ganhou fôlego e virou o jogo.
Essa temporada foi mais recente e não tem como esquecer que o time estava
compacto, competitivo e, sobretudo, decisivo. Poderíamos ter ido muito longe.
Menção honrosa para Ferguson que deixou Rooney no banco na maior parte do jogo
de volta, segundo ele, para aumentar o poder de marcação da equipe.
Esses são apenas exemplos para
ilustrar o que poderia ter dado certo, mas nos custou a eliminação por termos
tropeçado nas próprias pernas.
Isso sem falar, é claro, na
campanha desgraçada de 2011/2012 quando ficamos na primeira fase caindo para o
grupo mais difícil da história da competição com Benfica, Basel e Otelul Galati, ou quando quase fomos eliminados pelo Olympiakos com o Moyes no comando e todo mundo achou que fomos até longe demais naquela temporada tosca. Inaceitável.
Eu sei que agora se fala em
construção de elenco e importância de voltar à competição, da importância de se
ter a receita proveniente de tudo que envolve a Champions League e essas coisas.
Mas me aborrece demais o fato de se falar no torneio sem ver o incômodo de
muitos com a situação. Muito tem se falado ultimamente da volta ao torneio, mas
ninguém abordou o tema. É bem difícil conquistar a competição logo após voltar
a disputá-la assim, eu sei, mas ninguém apostava em alguns times que
recentemente tem chegado na final. Podemos chegar nem que seja na base do peso
da camisa. Por que precisamos nos colocar num patamar continental condizente
com a nossa grandeza. Urgentemente. Precisamos parar de ver os grandes nomes da Premier League impulsionarem os gigantes espanhóis para suas conquistas e voltar a montar um elenco forte a nível europeu. Enquanto estivermos nos reconstruindo isso dificilmente
irá acontecer. Mas, sobretudo, enquanto continuarmos tropeçando nas nossas
próprias pernas, o tempo continuará a passar e nada vai ser alterado.
E fanatismos à parte, no fim do
dia, continuamos com apenas três Champions.
Por Eduardo Silva







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