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quinta-feira, 11 de junho de 2015

No fim do dia, continuamos com apenas três Champions



Uma das maiores contradições do futebol mundial é o Manchester United ter apenas três taças de Champions League na sua sala de troféus. Sei que isso muito se deve ao fato de, em duas finais, termos batido de frente com versões da geração mais vitoriosa do Barcelona e ter enfrentado um gênio chamado Lionel Messi.

Mas isso não serve como desculpa.

Não serve por que não tinha Messi em campo quando Rafael foi expulso nas quartas de 2009/2010 e deu a sobrevida que o Bayern queria para avançar. Naquela edição já tínhamos enfiado 4 no Milan em casa, após vitória em Milão. Após 2-1 para os bávaros na ida chegamos a abrir 3-0 em Old Trafford, num jogo que terminou 3-2 para nós, o que não foi suficiente. Poderíamos ter ido fazer as semis com o Lyon, e posteriormente disputar na final o caneco com a Inter. Time para bater de frente nós tínhamos, naquela que foi uma temporada matadora de Wayne Rooney.

Rooney toca na saída de Abbiati: 4-0 no Milan em casa, na volta de Beckham.

Também não havia esquadrão mágico do Barcelona em 2012/2013, quando Nani poderia chegar de mil e uma formas na disputa da bola com Arbeloa, mas errou o tempo da bola, não observou que o jogador merengue estava perto do lance, meteu o pezão nas costelas do espanhol e o juizão que já não gosta de beneficiar espanhóis foi lá e o expulsou. Depois disso o Real, que não estava melhor na partida, ganhou fôlego e virou o jogo. Essa temporada foi mais recente e não tem como esquecer que o time estava compacto, competitivo e, sobretudo, decisivo. Poderíamos ter ido muito longe. Menção honrosa para Ferguson que deixou Rooney no banco na maior parte do jogo de volta, segundo ele, para aumentar o poder de marcação da equipe.



Esses são apenas exemplos para ilustrar o que poderia ter dado certo, mas nos custou a eliminação por termos tropeçado nas próprias pernas.

Isso sem falar, é claro, na campanha desgraçada de 2011/2012 quando ficamos na primeira fase caindo para o grupo mais difícil da história da competição com Benfica, Basel e Otelul Galati, ou quando quase fomos eliminados pelo Olympiakos com o Moyes no comando e todo mundo achou que fomos até longe demais naquela temporada tosca. Inaceitável.

Eu sei que agora se fala em construção de elenco e importância de voltar à competição, da importância de se ter a receita proveniente de tudo que envolve a Champions League e essas coisas. Mas me aborrece demais o fato de se falar no torneio sem ver o incômodo de muitos com a situação. Muito tem se falado ultimamente da volta ao torneio, mas ninguém abordou o tema. É bem difícil conquistar a competição logo após voltar a disputá-la assim, eu sei, mas ninguém apostava em alguns times que recentemente tem chegado na final. Podemos chegar nem que seja na base do peso da camisa. Por que precisamos nos colocar num patamar continental condizente com a nossa grandeza. Urgentemente. Precisamos parar de ver os grandes nomes  da Premier League impulsionarem os gigantes espanhóis para suas conquistas e voltar a montar um elenco forte a nível europeu. Enquanto estivermos nos reconstruindo isso dificilmente irá acontecer. Mas, sobretudo, enquanto continuarmos tropeçando nas nossas próprias pernas, o tempo continuará a passar e nada vai ser alterado.

E fanatismos à parte, no fim do dia, continuamos com apenas três Champions.

Por Eduardo Silva
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