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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A tentativa não existe. Faça ou não faça


Hoje é um dia decisivo. É como o dia que você que vai finalmente falar com a garota que você gosta, ou o dia do vestibular pelo qual você se preparou o ano todo, ou qualquer outra ocasião que mereça um Dia D. Este é o tipo de dia que o Manchester United vive hoje.

Mais uma vez às portas de um vexame, precisamos apenas de uma simples combinação de resultados para ficar fora do mata-mata da Champions de novo. E isso significaria muito para o restante da temporada. Cada vez mais a insatisfação com o trabalho de Van Gaal aumenta, os rumores de negociações com outros técnicos começam a se espalhar e a torcida vaia o time ao final das partidas. Mesmo assim, há quem diga ‘Mas todos os ingleses estão assim na Champions, é só ver que nós estamos bem na liga’. Existem muitos poréns em uma afirmação como essa.

Primeiro, o fato de praticamente todos os ingleses capengarem no torneio continental nos últimos anos não quer dizer que nós também tenhamos que passar pelo mesmo. Não obstante, se as equipes da Terra da Rainha que tanto se gabam por sua, teoricamente, melhor liga do mundo, sofrem contra PSV, CSKA, Dynamo Moscow, Olympiakos e afins significa que talvez eles não sejam tão bons assim. Já existe o debate por lá que existem deficiências táticas nas equipes da Premier League e é só ver o trabalho do nosso todo poderoso técnico para ver que isso tem sim seu quê de verdade. Além disso, é bom lembrar que existe muito dinheiro, porém mal gasto. A Inglaterra vende Suárez, Bale e Cristiano Ronaldo e compra Pedro, Roberto Firmino e Memphis Depay. Existem sim excelentes jogadores, mas os melhores deixaram de jogar aqui já tem algum tempo. 

E por que o Leicester lidera? Além do excelente trabalho tem o fato de clubes com muito mais dinheiro não reproduzirem isso em campo. United sofre para fazer gols e mal consegue articular boas jogadas de ataque. Mesmo quando consegue, finaliza mal. Depende da base para completar o banco por que o elenco é raso. City começa voando, mas quando perde Touré e Aguero desanda e toma baile do Stoke. Arsenal não mantém o nível como sempre. Joga muito em um jogo e nada no outro. E o Chelsea, que sempre mostra força, faz campanha catastrófica. Esse é o Lado B que está aí para quem quiser ver. O equilíbrio é uma mentira.


Capitão Wayne Rooney é o retrato do time: apático e ineficaz


Em meio a isso, o Manchester United se arrasta no aparente infinito processo de renovação que não engrena nunca. Uma eliminação precoce apenas mostraria como estamos despreparados a nível europeu. Seria lucro sair antes do mata-mata para não tomar um choque de realidade contra equipes mais bem estruturadas? O fato de fazer uma pergunta como essa, por si só, já é uma afronta. Entretanto se tornou algo pertinente de ser questionado já que não se vê melhora. E quando parece que vai melhorar, é tudo jogado pro alto. O elenco foi mal montado e o fim de ano está mostrando isso. Se fala em contratações novamente, em janeiro. Quantas janelas já se passaram? Quantos jogadores já chegaram? Quantos mais serão suficientes? Parece que o método adotado é o de tentativa e erro.

O time joga mal. Isso é fato. O capitão vai mal, o técnico vai mal e o ataque também. O que funciona bem é a defesa, mas até quando vai segurar as pontas? Os péssimos resultados ingleses e o processo de renovação não podem servir como desculpa para o péssimo futebol apresentado em campo pelos Red Devils. E hoje, caro leitor, é hora de ao menos uma vez esse grupo ter consciência do que representa, do peso que a camisa que vestem tem, e ir lá e vencer o jogo. Caso contrário os próximos dias trarão mais pressão sob Old Trafford. E se necessário for, que ela leve Van Gaal e quem mais for preciso no caminho. Se você não consegue fazer o que tem que ser feito, alguém mais capacitado virá e fará.

Como já dizia o Mestre Yoda, em Star Wars: ‘Faça ou não faça. Tentativa não há.’

Por Eduardo Silva



terça-feira, 24 de novembro de 2015

Parece que o jogo virou, não é mesmo?


Assim que chegou ao clube, o jovem Martial era cercado de desconfianças. Novo Henry? Sub-20 mais caro? Pra quê gastar tanto em um moleque desses quando se tem Rooney?

Certo, após se recuperar da ácida pergunta acima, vamos continuar.


Logo na estréia o garoto manda um golaço contra o Liverpool e empolga todo mundo, depois continua balançando a rede de forma seguida e faz todo mundo começar a pensar que o valor investido realmente tinha sido bem gasto. Acontece que aí nosso outro colunista, o Iago Araújo, resolveu falar dos possíveis recordes que Martial poderia alcançar com o United. Obviamente isso zicou o menino e desde então a sua bela média de gols tem caído um pouco. Brincadeiras à parte é legal ressaltar como nós podemos ser imediatistas nas análises. Apesar dos motivos para desconfiança serem grandes na sua chegada, Anthony nem chegou a colocar os pés em campo para ser contestado. Depois do bom início, a coisa mudou de patamar e as incertezas deram lugar ao espaço de ‘mito’ nas conversas redes sociais afora.

Essa mudança de confiança se tornou ainda mais evidente após a lesão no recente amistoso da Seleção Francesa, quando uma boa parte da torcida Red Devil manifestava sua preocupação com o desfalque certo para o jogo contra o Watford. Apenas mais uma demonstração de como as coisas fluíram rápido demais, fruto talvez desse futebol cada vez mais especulativo e inflacionado em que vivemos atualmente. Em questão de alguns jogos o jovem francês passou de dúvida para titular absoluto e fomentou discussões sobre a melhor posição para seu futebol quando Van Gaal o escalou na ponta.


Causando estragos no Liverpool


O estilo de jogo veloz, habilidoso e com boa finalização logo renderia mesmo bons comentários. A forma como desfila dribles curtos nos adversários intimida e abre espaços, ao mesmo tempo em que dá mais moral ao time com a bola nos pés. Basta reparar como no clássico contra o City ele sempre tinha atenção redobrada naquele jogo truncadíssimo e, mesmo assim, levava vantagem em muitos lances. Como não se render a um futebol ao melhor estilo ‘Ousadia e Alegria’ assim? O retrospecto recente também favorece o endeusamento pelo jogador. Com exceção de Van Persie, os outros ‘9’ do United nos últimos anos foram bem contestáveis. Além de Berbatov e sua regularidade extraordinária – passava mil jogos sem marcar e depois ia lá e fazia cinco – vimos o caneludo Welbeck proporcionar muitos lances bizarros e pouco otimismo em lances mais agudos no ataque. Não obstante, temporada passada tivemos a passagem traumática de Falcao que não deixou saudades. Mas Martial é diferente. É habilidade, consciência e talento.

Isso torna o imediatismo perigoso. Anthony é jovem e pode passar por inconstâncias na carreira, como esta atravessada atualmente por Memphis, ainda em período de adaptação. Da mesma forma como está sendo muito valorizado agora, pode ser muito criticado e posto em dúvida quando uma fase não tão boa chegar. E vale ressaltar que isso pode acontecer cedo, já que ele é muito jovem. A tendência é que se torne um excelente jogador, mas a Premier League é o tipo de competição que exige sempre o mais alto nível, e como ser humano nem sempre você consegue se manter no seu máximo. Futebol é uma coisa extremamente passional e, como tal, às vezes não conseguimos manter a racionalidade. Mas é preciso.

De qualquer forma, tomara que a passagem de dúvida para mito seja a última virada nesse jogo.


Por Eduardo Silva


terça-feira, 27 de outubro de 2015

O Bem-Amado





Existem fases na vida que são difíceis de explicar e, sobretudo, conviver. Fases que você anda duro, sem um tostão na carteira. Sem um tostão mesmo. O mendigo até pede: ‘qualquer dez centavos ajuda’, mas mal sabe ele que você não dá por que não tem mesmo – embora não garanta que ajudaria se tivesse. Às vezes dá tudo errado, aquela pulada de cerca de anos que você não achava que seria descoberta vem à tona e até o padeiro da esquina descobre sua dupla vida amorosa. Num dia você está por cima, até quando erra, e aquela coisa estaparfúdia que ia fazer toma um rumo completamente diferente e de maneira inexplicável dá certo. No outro, passa onze meses sem marcar um gol fora de casa.

Esse é o Rooney atual. Exceto pela parte financeira, já que ganha mais do que político brasileiro, o nosso querido atacante está com aquela zica que parece ter chegado pra ficar. É difícil acreditar que aquele atacante monstruoso que fazia gol, se entregava em campo, dividia todas as bolas e conquistou a torcida hoje vive dias tenebrosos fazendo coisas bisonhas em campo. Quem vê futebol de alguns meses pra cá e olha o Shrek jogando acha que ele nunca foi nada demais no futebol para ser o camisa dez do Manchester United.


É sério.

Apesar disso, Rooney é provavelmente o jogador mais incrível da última década. E não falo isso por causa do golaço de bicicleta contra o City, ou por ser o maior artilheiro da Seleção Inglesa ou ainda por ter decidido inúmeros jogos pelos Red Devils. Pense comigo, caro leitor, e verá que estou correto. Rooney era tão incrível, mas tão incrível, que corneou a esposa, tirou férias, voltou pra ela e ainda ganhou aumento. Não obstante, teve alguns desentendimentos com Ferguson sobre seu lugar no time. Aconteceu uma vez, aconteceu outra e sabe-se lá mais quantas. Alguns davam razão ao jogador, outros ao lendário técnico. O estopim veio com o banco de reservas em jogo decisivo pela Champions League, contra o Real Madrid. Seria esse o fim do camisa dez em Manchester? Era Rooney x Ferguson. Resultado: o velhinho se aposentou.

O homem que tudo pode. Ou podia.

Agora Rooney chega a um novo patamar de grandiosidade com o técnico Louis Van Gaal. Ele redefiniu a condição de capitão da equipe. Peitar o árbitro? Fazer pressão na equipe adversária? Incentivar os companheiros? Esqueça. Isso é coisa do passado. Tudo agora passa pelo camisa dez, e não só as enfiadas de bola. Quem decide o que os cozinheiros vão fazer pro jantar? Rooney. Quem decide a tática e melhor posicionamento dos companheiros? Rooney. Quem decide a playlist de Old Trafford em dias de jogos? Rooney. Qual é o nome da pessoa que nunca, jamais, sob qualquer hipótese sai do jogo, mesmo depois da quadragésima inversão de bola errada? Rooney. Qual jogador é blindado nas entrevistas mesmo depois de sequências horrorosas de jogos? Rooney. Biscoito ou bolacha? Rooney. Dilma ou Aécio? Rooney.

Obviamente, os parágrafos acima estiveram cheios de exageros. Rooney não foi o responsável pela aposentadoria de Ferguson e nem escolhe as músicas que tocam em Old Trafford – pelo menos eu acho. Entretanto, é inegável ver que a decadência dele fica mais acentuada pela caricata proteção que recebe. Mesmo na condição de ídolo e capitão do time, muitas vezes acaba prejudicando mais do que ajudando o time. E é natural aparecerem cobranças quando se ganha tanto e rende tão pouco. Me pergunto até quando a condição de ídolo vai isentá-lo das críticas.

O triste é ver que já zoamos Gerrard e seus péssimos momentos em um passado recente, mas que Rooney não está fazendo tão diferente dele de uns tempos pra cá. Talvez o banco de reservas ajude na melhora de seu desempenho, apesar de achar difícil que isso aconteça da forma com que as coisas estão andando atualmente.

Hoje, se o mendigo pedir dez centavos certamente não vai ser um problema para Rooney. O problema é se pedir dez gols.

Por Eduardo Silva
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