Hoje é um dia decisivo. É como o dia que você que
vai finalmente falar com a garota que você gosta, ou o dia do vestibular pelo
qual você se preparou o ano todo, ou qualquer outra ocasião que mereça um Dia
D. Este é o tipo de dia que o Manchester United vive hoje.
Mais uma vez às portas de um vexame, precisamos
apenas de uma simples combinação de resultados para ficar fora do mata-mata da
Champions de novo. E isso significaria muito para o restante da temporada. Cada
vez mais a insatisfação com o trabalho de Van Gaal aumenta, os rumores de
negociações com outros técnicos começam a se espalhar e a torcida vaia o time
ao final das partidas. Mesmo assim, há quem diga ‘Mas todos os ingleses estão
assim na Champions, é só ver que nós estamos bem na liga’. Existem muitos
poréns em uma afirmação como essa.
Primeiro, o fato de praticamente todos os ingleses
capengarem no torneio continental nos últimos anos não quer dizer que nós
também tenhamos que passar pelo mesmo. Não obstante, se as equipes da Terra da
Rainha que tanto se gabam por sua, teoricamente, melhor liga do mundo, sofrem
contra PSV, CSKA, Dynamo Moscow, Olympiakos e afins significa que talvez eles
não sejam tão bons assim. Já existe o debate por lá que existem deficiências
táticas nas equipes da Premier League e é só ver o trabalho do nosso todo
poderoso técnico para ver que isso tem sim seu quê de verdade. Além disso, é
bom lembrar que existe muito dinheiro, porém mal gasto. A Inglaterra vende
Suárez, Bale e Cristiano Ronaldo e compra Pedro, Roberto Firmino e Memphis
Depay. Existem sim excelentes jogadores, mas os melhores deixaram de jogar aqui
já tem algum tempo.
E por que o Leicester lidera? Além do excelente
trabalho tem o fato de clubes com muito mais dinheiro não reproduzirem isso em
campo. United sofre para fazer gols e mal consegue articular boas jogadas de
ataque. Mesmo quando consegue, finaliza mal. Depende da base para completar o
banco por que o elenco é raso. City começa voando, mas quando perde Touré e
Aguero desanda e toma baile do Stoke. Arsenal não mantém o nível como sempre.
Joga muito em um jogo e nada no outro. E o Chelsea, que sempre mostra força,
faz campanha catastrófica. Esse é o Lado B que está aí para quem quiser ver. O
equilíbrio é uma mentira.
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| Capitão Wayne Rooney é o retrato do time: apático e ineficaz |
Em meio a isso, o Manchester United se arrasta no
aparente infinito processo de renovação que não engrena nunca. Uma eliminação
precoce apenas mostraria como estamos despreparados a nível europeu. Seria
lucro sair antes do mata-mata para não tomar um choque de realidade contra
equipes mais bem estruturadas? O fato de fazer uma pergunta como essa, por si
só, já é uma afronta. Entretanto se tornou algo pertinente de ser questionado
já que não se vê melhora. E quando parece que vai melhorar, é tudo jogado pro
alto. O elenco foi mal montado e o fim de ano está mostrando isso. Se fala em
contratações novamente, em janeiro. Quantas janelas já se passaram? Quantos
jogadores já chegaram? Quantos mais serão suficientes? Parece que o método
adotado é o de tentativa e erro.
O time joga mal. Isso é fato. O capitão vai mal, o
técnico vai mal e o ataque também. O que funciona bem é a defesa, mas até
quando vai segurar as pontas? Os péssimos resultados ingleses e o processo de
renovação não podem servir como desculpa para o péssimo futebol apresentado em
campo pelos Red Devils. E hoje, caro leitor, é hora de ao menos uma vez esse
grupo ter consciência do que representa, do peso que a camisa que vestem tem, e
ir lá e vencer o jogo. Caso contrário os próximos dias trarão mais pressão sob
Old Trafford. E se necessário for, que ela leve Van Gaal e quem mais for
preciso no caminho. Se você não consegue fazer o que tem que ser feito, alguém
mais capacitado virá e fará.
Como já dizia o Mestre Yoda, em Star Wars: ‘Faça ou
não faça. Tentativa não há.’
Por Eduardo Silva







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