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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Parece que o jogo virou, não é mesmo?


Assim que chegou ao clube, o jovem Martial era cercado de desconfianças. Novo Henry? Sub-20 mais caro? Pra quê gastar tanto em um moleque desses quando se tem Rooney?

Certo, após se recuperar da ácida pergunta acima, vamos continuar.


Logo na estréia o garoto manda um golaço contra o Liverpool e empolga todo mundo, depois continua balançando a rede de forma seguida e faz todo mundo começar a pensar que o valor investido realmente tinha sido bem gasto. Acontece que aí nosso outro colunista, o Iago Araújo, resolveu falar dos possíveis recordes que Martial poderia alcançar com o United. Obviamente isso zicou o menino e desde então a sua bela média de gols tem caído um pouco. Brincadeiras à parte é legal ressaltar como nós podemos ser imediatistas nas análises. Apesar dos motivos para desconfiança serem grandes na sua chegada, Anthony nem chegou a colocar os pés em campo para ser contestado. Depois do bom início, a coisa mudou de patamar e as incertezas deram lugar ao espaço de ‘mito’ nas conversas redes sociais afora.

Essa mudança de confiança se tornou ainda mais evidente após a lesão no recente amistoso da Seleção Francesa, quando uma boa parte da torcida Red Devil manifestava sua preocupação com o desfalque certo para o jogo contra o Watford. Apenas mais uma demonstração de como as coisas fluíram rápido demais, fruto talvez desse futebol cada vez mais especulativo e inflacionado em que vivemos atualmente. Em questão de alguns jogos o jovem francês passou de dúvida para titular absoluto e fomentou discussões sobre a melhor posição para seu futebol quando Van Gaal o escalou na ponta.


Causando estragos no Liverpool


O estilo de jogo veloz, habilidoso e com boa finalização logo renderia mesmo bons comentários. A forma como desfila dribles curtos nos adversários intimida e abre espaços, ao mesmo tempo em que dá mais moral ao time com a bola nos pés. Basta reparar como no clássico contra o City ele sempre tinha atenção redobrada naquele jogo truncadíssimo e, mesmo assim, levava vantagem em muitos lances. Como não se render a um futebol ao melhor estilo ‘Ousadia e Alegria’ assim? O retrospecto recente também favorece o endeusamento pelo jogador. Com exceção de Van Persie, os outros ‘9’ do United nos últimos anos foram bem contestáveis. Além de Berbatov e sua regularidade extraordinária – passava mil jogos sem marcar e depois ia lá e fazia cinco – vimos o caneludo Welbeck proporcionar muitos lances bizarros e pouco otimismo em lances mais agudos no ataque. Não obstante, temporada passada tivemos a passagem traumática de Falcao que não deixou saudades. Mas Martial é diferente. É habilidade, consciência e talento.

Isso torna o imediatismo perigoso. Anthony é jovem e pode passar por inconstâncias na carreira, como esta atravessada atualmente por Memphis, ainda em período de adaptação. Da mesma forma como está sendo muito valorizado agora, pode ser muito criticado e posto em dúvida quando uma fase não tão boa chegar. E vale ressaltar que isso pode acontecer cedo, já que ele é muito jovem. A tendência é que se torne um excelente jogador, mas a Premier League é o tipo de competição que exige sempre o mais alto nível, e como ser humano nem sempre você consegue se manter no seu máximo. Futebol é uma coisa extremamente passional e, como tal, às vezes não conseguimos manter a racionalidade. Mas é preciso.

De qualquer forma, tomara que a passagem de dúvida para mito seja a última virada nesse jogo.


Por Eduardo Silva


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