Assim que chegou ao clube, o
jovem Martial era cercado de desconfianças. Novo Henry? Sub-20 mais caro? Pra
quê gastar tanto em um moleque desses quando se tem Rooney?
Certo, após se recuperar da ácida
pergunta acima, vamos continuar.
Logo na estréia o garoto manda um
golaço contra o Liverpool e empolga todo mundo, depois continua balançando a
rede de forma seguida e faz todo mundo começar a pensar que o valor investido
realmente tinha sido bem gasto. Acontece que aí nosso outro colunista, o Iago
Araújo, resolveu falar dos possíveis recordes que Martial poderia alcançar com
o United. Obviamente isso zicou o menino e desde então a sua bela média de gols
tem caído um pouco. Brincadeiras à parte é legal ressaltar como nós podemos ser
imediatistas nas análises. Apesar dos motivos para desconfiança serem grandes
na sua chegada, Anthony nem chegou a colocar os pés em campo para ser
contestado. Depois do bom início, a coisa mudou de patamar e as incertezas
deram lugar ao espaço de ‘mito’ nas conversas redes sociais afora.
Essa mudança de confiança se
tornou ainda mais evidente após a lesão no recente amistoso da Seleção
Francesa, quando uma boa parte da torcida Red Devil manifestava sua preocupação
com o desfalque certo para o jogo contra o Watford. Apenas mais uma
demonstração de como as coisas fluíram rápido demais, fruto talvez desse
futebol cada vez mais especulativo e inflacionado em que vivemos atualmente. Em
questão de alguns jogos o jovem francês passou de dúvida para titular absoluto
e fomentou discussões sobre a melhor posição para seu futebol quando Van Gaal o
escalou na ponta.
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| Causando estragos no Liverpool |
O estilo de jogo veloz,
habilidoso e com boa finalização logo renderia mesmo bons comentários. A forma
como desfila dribles curtos nos adversários intimida e abre espaços, ao mesmo
tempo em que dá mais moral ao time com a bola nos pés. Basta reparar como no
clássico contra o City ele sempre tinha atenção redobrada naquele jogo
truncadíssimo e, mesmo assim, levava vantagem em muitos lances. Como não se
render a um futebol ao melhor estilo ‘Ousadia e Alegria’ assim? O retrospecto
recente também favorece o endeusamento pelo jogador. Com exceção de Van Persie,
os outros ‘9’ do United nos últimos anos foram bem contestáveis. Além de
Berbatov e sua regularidade extraordinária – passava mil jogos sem marcar e
depois ia lá e fazia cinco – vimos o caneludo Welbeck proporcionar muitos
lances bizarros e pouco otimismo em lances mais agudos no ataque. Não obstante,
temporada passada tivemos a passagem traumática de Falcao que não deixou
saudades. Mas Martial é diferente. É habilidade, consciência e talento.
De qualquer forma, tomara que a
passagem de dúvida para mito seja a última virada nesse jogo.
Por Eduardo Silva







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