Falar que Wayne Rooney é um jogador versátil é chover no molhado. Desde sua contratação junto ao Everton em 2004, o atual capitão do Manchester United jogou em varias posições do campo, atuando com maestria em praticamente todos os lugares que o puseram para jogar. Muito por sua "fome" de bola, Rooney sempre foi muito aplicado e obediente - pelo menos dentro de campo - ao que seu treinador pedisse, seja ele Ferguson, Moyes ou Van Gaal.
De alguns anos pra cá, o inglês proporcionou algumas atuações brilhantes jogando como meio campista, quase como um segundo volante, que lhe renderam até comparações com Paul Scholes, o maior meio campista que já vestiu a camisa Red Devil, na minha visão e na visão de muitos outros.
Porém, a parte de tudo isso e de todo o seu talento e esforço para fazer o que é pedido pelo treinador, o faro goleador e o desejo de estar sempre entre os marcadores na partida, impedem que Rooney complete essa transformação de atacante para meio campista.
Pode observar, nas últimas temporadas a ele foi requisitado que jogasse no meio de campo em algumas ocasiões. Logo de cara, nas primeiras partidas, suas atuações são excelentes. Primeiro com Sir Alex, rendeu tão bem que o próprio jogador foi ao twitter expressar sua satisfação em atuar numa posição mais recuada, vendo melhor o jogo, podendo controlar mais as ações de jogo. No entanto, vieram os jogos sem marcar e a frustração do "Shrek" era clara.
Rooney é o tipo de jogador que depende muito de sua forma física e psicológica.
No ápice, ele é praticamente imparável, faz gol em todos os jogos, da passes, marca, rouba bolas, jogador completo. Frustado, ele é apenas comum. Descontente, Rooney entra sempre um tom abaixo dos seus companheiros, erra passes bobos, lances cruciais, perde gols aparentemente fáceis. Daí surgem as fases ruins, o banco de reserva... Nervoso como sempre foi, deu declarações quentes, ameaçou sair, mas ficou.
Ficou e, hoje sob o comando de Louis Van Gaal, se vê na mesma situação. Desde o fim de dezembro, e já estamos em fevereiro, Rooney vem atuando prioritariamente como meio campista. Foi muito bem nos primeiros jogos, principalmente contra o Newcastle, quando marcou dois gols jogando como segundo volante, numa atuação realmente digna de Scholes. Esses dois gols foram o seus sétimo e oitavo gols nessa temporada na Premier League e, desde então, ele não marca.
A frustração já é evidente dentro de campo. O que se vê, nos últimos dois jogos principalmente, é um Rooney "blasé", lento, fazendo as escolhas erradas, errando suas preciosas viradas de bola. A questão é, por mais que Rooney seja capaz de realizar inúmeras funções dentro de campo, sua versatilidade está prejudicando suas atuações.
Não é como se Van Gaal não tivesse outros jogadores para desempenhar a função que Rooney está desempenhando nos últimos jogos. Ander e Fellaini estavam e estão jogando bem.
Rooney tem que ser atacante, jogar perto do gol, mesmo que não com um centro avante típico, camisa 9, mas perto do gol. É desperdiçar poder de fogo jogar com ele tão recuado, e um risco desnecessário ao time dentro e fora de campo.
Com a saída de Fletcher, Rooney é o jogador que veste a camisa do United a mais tempo no elenco. Além disso, é o capitão do time. Não acredito que veremos outras cenas lamentáveis sobre transferências e reclamações públicas, mas, a cada dia que passa suas atuações vem caindo de nível. Cabe a Van Gaal ter a sensibilidade e perceber que, mesmo sem reclamar, o jogador não está satisfeito como e onde vem jogando.
Por Iago Araújo






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