No dia 17 de
Julho de 2014, Louis Van Gaal deu sua primeira entrevista como treinador do
Manchester United. Foi o marco para o começo de uma nova era para o clube, logo
após a meteórica passagem do David Moyes. Depois de levar a Holanda às
semifinais da Copa do Mundo, o treinador já era visto como uma excelente
alternativa para a mudança sobre a qual o Manchester planejava.
Reconhecido
por bons trabalhos por onde passou, com jogadores jovens e com uma ‘forte filosofia’
(sobre a qual se debruça), Van Gaal se apresentou como o cara certo para
recolocar os Red Devils às trilhas dos títulos. Contratações foram feitas; o
esquema foi mudado; a mentalidade de jogo também. A pré-temporada encheu os
nossos olhos (sabe quando você se apaixona e não consegue ver nada de errado?). Três zagueiros, dois volantes, dois alas (metade dos jogos
improvisados), um meia para articular e dois atacantes. O 3-4-1-2 ou o 3-5-2 do
LvG parecia ideal para o time, fazendo até o Fletcher jogar bem! O Rooney parecia
ter acordado pra vida, além de nadar no seu salário milionário. O Herrera
entrou como uma luva e parecia o jogador que sempre faltou nesses últimos anos (após a falha do Projeto Paul Cleverley™).
Porém esse foi o nosso maior problema. A realidade é muito mais difícil.
O primeiro
‘baque’ veio contra o Swansea. Estreia, Old Trafford, expectativas a mil e tudo
veio abaixo com uma inesperada derrota. As coisas pareceram piorar com mais
dois empates melancólicos fora de casa, contra Sunderland e Burnley, e a
vexatória derrota contra o MK Dons na Capital One Cup. Em Setembro e Outubro, o
time continuou oscilando, apesar do Van Gaal garantir a
adaptação do United à filosofia e pediu um tempo para os torcedores. De positivo, veio o
mês de novembro, quando após a derrota no dérbi de Manchester, vencemos três
jogos. No, geralmente, tumultuado mês de dezembro, o time não perdeu nenhum
jogo, seguindo assim até janeiro, ao enfrentar e perder para o Southampton em
casa.
| "Por que eu vendi o Welbeck?" |
O que se
esperava da filosofia do Louis, com bons jogos, vitórias e disputa de título,
vai sendo tão média (para não dizer medíocre) quanto a sequência do Chosen One.
Mesmo com todas as contratações, os únicos jogos convincentes foram contra o
Hull, Liverpool (mesmo com uma partida mítica do De Gea) e Newcastle, todos
estes em casa e vencendo por três gols. Em outras partidas, vemos um time pobre
na criação, com um falso controle sobre o jogo e onde o melhor jogador do time
na temporada vai sendo o seu goleiro, novamente. Um time onde a maior parte do
tempo de posse fica concentrada entre os seus defensores – onde o Iago fala para vocês melhor do que eu -, sendo um problema visto desde os tempos da Holanda.
Portanto,
muito mais do que a filosofia, acabamos entrando na utopia do Van Gaal, onde a
sua teimosia e orgulho imperam. São erros que custam uma vaga à Champions League e todo um financiamento por trás. Querer implantar um esquema diferente é
louvável, corajoso e tudo o mais. Eu, particularmente, sou fã de esquemas
assim. Porém, a partir do momento que as coisas não funcionam, por que não
mudar? Afinal, para quem ele trabalha? Para o clube ou a si mesmo? As melhores
exibições do time foram com o 4-4-2 em losango, onde o time não fica tão
exposto e ainda cria mais oportunidades. Então, por que não mudar? Se a
filosofia propõe tantas mudanças, que tal mudar a si mesmo?





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