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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Filosofia ou Utopia?


No dia 17 de Julho de 2014, Louis Van Gaal deu sua primeira entrevista como treinador do Manchester United. Foi o marco para o começo de uma nova era para o clube, logo após a meteórica passagem do David Moyes. Depois de levar a Holanda às semifinais da Copa do Mundo, o treinador já era visto como uma excelente alternativa para a mudança sobre a qual o Manchester planejava.

Reconhecido por bons trabalhos por onde passou, com jogadores jovens e com uma ‘forte filosofia’ (sobre a qual se debruça), Van Gaal se apresentou como o cara certo para recolocar os Red Devils às trilhas dos títulos. Contratações foram feitas; o esquema foi mudado; a mentalidade de jogo também. A pré-temporada encheu os nossos olhos (sabe quando você se apaixona e não consegue ver nada de errado?). Três zagueiros, dois volantes, dois alas (metade dos jogos improvisados), um meia para articular e dois atacantes. O 3-4-1-2 ou o 3-5-2 do LvG parecia ideal para o time, fazendo até o Fletcher jogar bem! O Rooney parecia ter acordado pra vida, além de nadar no seu salário milionário. O Herrera entrou como uma luva e parecia o jogador que sempre faltou nesses últimos anos (após a falha do Projeto Paul Cleverley™). Porém esse foi o nosso maior problema. A realidade é muito mais difícil.

O primeiro ‘baque’ veio contra o Swansea. Estreia, Old Trafford, expectativas a mil e tudo veio abaixo com uma inesperada derrota. As coisas pareceram piorar com mais dois empates melancólicos fora de casa, contra Sunderland e Burnley, e a vexatória derrota contra o MK Dons na Capital One Cup. Em Setembro e Outubro, o time continuou oscilando, apesar do Van Gaal garantir a adaptação do United à filosofia e pediu um tempo para os torcedores. De positivo, veio o mês de novembro, quando após a derrota no dérbi de Manchester, vencemos três jogos. No, geralmente, tumultuado mês de dezembro, o time não perdeu nenhum jogo, seguindo assim até janeiro, ao enfrentar e perder para o Southampton em casa.
"Por que eu vendi o Welbeck?"
O que se esperava da filosofia do Louis, com bons jogos, vitórias e disputa de título, vai sendo tão média (para não dizer medíocre) quanto a sequência do Chosen One. Mesmo com todas as contratações, os únicos jogos convincentes foram contra o Hull, Liverpool (mesmo com uma partida mítica do De Gea) e Newcastle, todos estes em casa e vencendo por três gols. Em outras partidas, vemos um time pobre na criação, com um falso controle sobre o jogo e onde o melhor jogador do time na temporada vai sendo o seu goleiro, novamente. Um time onde a maior parte do tempo de posse fica concentrada entre os seus defensores – onde o Iago fala para vocês melhor do que eu -, sendo um problema visto desde os tempos da Holanda.

Portanto, muito mais do que a filosofia, acabamos entrando na utopia do Van Gaal, onde a sua teimosia e orgulho imperam. São erros que custam uma vaga à Champions League e todo um financiamento por trás. Querer implantar um esquema diferente é louvável, corajoso e tudo o mais. Eu, particularmente, sou fã de esquemas assim. Porém, a partir do momento que as coisas não funcionam, por que não mudar? Afinal, para quem ele trabalha? Para o clube ou a si mesmo? As melhores exibições do time foram com o 4-4-2 em losango, onde o time não fica tão exposto e ainda cria mais oportunidades. Então, por que não mudar? Se a filosofia propõe tantas mudanças, que tal mudar a si mesmo?


Por Jardel Messias
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